domingo, 29 de maio de 2005

Avestruz, uma Amiga

Num raid sobre o Alentejo, o Ventor e a Avestruz olharam-se, olhos nos olhos.

A avestruz fixa o Ventor

Numa terra a que chamam Cuba, mas esta, a alentejana, o Ventor olha a secura da paisagem e encara com duas avestruzes. O dono do meu amigo Zé parou o carro para que, na margem da estrada, o Ventor e as avestruzes dialogassem sobre este mundo. Quando as avestruzes se aperceberam que era o Ventor, logo se encaminharam para a vedação.

Uma das avestruzes só parou junto à vedação olhando fixamente o Ventor

Mas o Ventor começou logo a falar com ela e quando o Ventor se encaminha para as galinhas, suas amigas africanas que também ali estavam, ela acompanhou-o com umas passadas e com o olhar. O Ventor continuou a dialogar com a avestruz e pediu-lhe para levar o seu cativeiro da melhor maneira possível porque, afinal, somos todos cativos de uma rede qualquer ou de algum instrumento de tortura.

A prisão, sobretudo, para quem a não merece será certamente muito desagradável instrumento de tortura e o Ventor sabe como isso é, pois sente que estamos sempre aprisionados a algo que nos desagrada. Também desagradará à avestruz estar longe da terra que a viu nascer. Ela veio aprisionada para longe e se o Ventor está longe da terra onde nasceu, já é diferente, pois saiu de lá por vontade própria. Então, na brincadeira, disse à avestruz que o melhor era levar a vida o mais alegre possível, mesmo dançando e o Ventor fez o gesto como era. Para estupefacção do Ventor, a avestruz começou a dançar com ele imitando-o. A malta no carro ria-se, o ventor ria-se e a avestruz continuava a dançar. Mas que beleza de animal! A dançar!

Uma foto da avestruz a dançar Só visto, diz o Ventor! Se fosse filmado daria uma bela sequência de imagens e o Ventor nem se recorda que a máquina filma! Mas riram-se todos e todos ficaram a gostar da avestruz que continuava a dançar.

Amigos para sempre

O Ventor entrou no carro e seguiram viagem e a avestruz continuou a olhar sobre a vedação e até parece que lhe pedia para ficar também! Este é um dos muitos animais que o Ventor não conheceu em África mas conheceu-os no Algarve e no Alentejo e já tem saudades deles.

No Algarve terão havido centenas deles perto de Vila Moura. A última vez que lá passou, não há muito tempo, já não estava nenhum. Em Vila Nova de Milfontes também havia avestruzes e parece que já não há nada. Mas no meio da tristeza das avestruzes, diz o Ventor, também cabe o seu lamento. O homem não as trouxe por amor ou pela agradabilidade da sua companhia. Trouxe-as para explorar! Afinal a única coisa que o homem sabe fazer. Explorar tudo! Certamente, diz o Ventor que, quando voltar a passar pela Cuba alentejana, já lá não haverá avestruz nenhuma a olhar para si e muito menos a dançar para ele ou com ele.

quarta-feira, 25 de maio de 2005

Olhem esta coisa

O Ventor qualquer dia não me liga. Aparece com cada coisa! Olhem esta beleza! Alguém sabe como se chama? Será uma das espécies de "bicos de lacre"?

Digam lá que não é lindinho?

Está um pouco ampliado e segundo o Ventor disse, quase o pisou. Ele andava em volta das suas pernas e acabou por pegar nele. Voltou a colocá-lo no chão e ele, armado em pimpão fugiu para cima de uma pequena árvore. Quando o Ventor lhe quis tirar uma foto sobre a árvore ele, do contra, voltou para os pés do Ventor. O Ventor fez-lhe uma festa e ficou a vê-lo comer. Parecia esfomeado. Penicava em volta das pedras, das folhas secas, na terra... Ao vê-lo comer tão bem, o Ventor disse-lhe que estava safo. Agora só precisava de se cuidar com os inimigos.

Olhem como ele se safa!

Quando o Ventor voltou a fazer uma tentativa para o apanhar, testando a sua capacidade de defesa, ele pirou-se sempre, mas sempre por perto. "Agora não quero que fujas de mim, quero que fujas da água do rio. Os teus pais devem estar por aí a apreciar a tua conduta e certamente estão a gostar. A partir de agora, passas a fazer parte do rótulo dos meus amigos, mas amigos a valer, ok? Agora o Ventor anda aqui de volta das fotos desse gaijinho, até parece que são pepitas de ouro. É o que eu digo. Qualquer dia não me liga!

segunda-feira, 9 de maio de 2005

A barbárie

Isto é demais!

O país, diz o Ventor, está podre! Mas os homens ainda estão mais podres. Uma amiga pediu-me para colocar no meu blog a vida atribulada dos meus amigos touros e eu ponho. Estou com pressa, muita pressa, mas agora estava no meu email e aqui coloco o seu pedido. Mas arranjarei vagar para dizer mal de todos os imbencis que caminham entre nós de olhos postos em tanta maldade. Sejam gente seus animais tortuosos! Abandonem o gene do mal, pois ainda estão a tempo!

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Vejam isto e reflictam: Imagine que alguém vai a sua casa e, à força o leva, o mete num contentor, o transporta por mar durante alguns dias, mal alimentado, encurralado, empacado com outros irmãos seus sem se poderem mexer.

Chegam a terra, e quando entendem, abrem a porta e esta dá para um quarto cuja única saída é a porta por onde você entrou e que acabou de ser fechada. Você que pensou que aquela porta se tinha aberto para a liberdade, para o devolver a casa e nada disso. À sua frente está um terrível monstro que o ameaça, o cita, o provoca. Aterrorizado você só tem duas hipóteses, ou sair dali, o que é impossível porque a porta está fechada, ou livrar-se do monstro, por isso toma balanço, fecha os olhos e investe.

Quando chega ao pé do monstro sente um ferro cravar-se nas suas carnes, a dor é imensa, insuportável, o sangue escorre pela sua pele, os seus olhos enevoam-se e nada mais lhe resta senão continuar a lutar, mas o adversário é inteligente, tem um aliado precioso, o cavalo, ágil e bem treinado. Você volta a investir, uma, duas, três vezes e de cada uma mais um ferro é espetado nas suas costas e, que por terem arpões cada vez que se mexe se agarram mais à sua carne e com o balanço a dor é cada vez maior e insuportável. Começa a ter febre, o sangue quente e húmido escorre cada vez mais, as forças faltam-lhe, não sabe já para onde se virar e pede ao seu Deus que o tire dali, que o sofrimento já ultrapassou há muito o limite das suas forças.

No meio daquela tortura sanguinária você consegue ter a noção de que afinal não está sozinho com o monstro, monstros iguais, muitos, estão à volta dessa sala, noutra sala, e assistem ao que se passa, aplaudem, gritam de gozo, de emoção, atiram ao ar chapéus, almofadas, fotografam, deliram. A banda toca música. A porta do quarto abre-se e o monstro que o torturou sai e, você, confuso, quer também sair, mas a porta fecha-se no seu nariz. Olhos rasos de lágrimas, tendo a certeza de que nunca mais verá os seus, morrendo de dores e de febre ainda tem uma prova final: uma dezena de monstros entra no quarto, quase não os vê devido às lágrimas, mas eles gritam, esbracejam, correm para si e param, recuam, voltam a gritar, e você com os malditos ferros a queimarem-lhe a carne, o sangue a escorrer quente e húmido pelas costas abaixo, chora de raiva, toma balanço e investe.

Qualquer coisa bate forte na sua cara e tapa-lhe os olhos, serão os monstros? Agarram-se à sua carne dorida, arrastam-no pelo chão e as forças a esvaírem-se com a perda do sangue.

Meu Deus mandai-me a morte depressa, que dores horrorosas. Finalmente abre-se a porta, uns parentes seus vêm buscá-lo, você duvida, mas acaba por segui-los até ao contentor de onde tinha saído. A porta fecha-se, você cai desfalecido no chão, a febre e as dores são tantas que delira e sonha que está em casa, no meio dos seus - mas a realidade é que está a morrer por cada gota de sangue que sai da sua carne torturada. E lá longe continua a ouvir os gritos da multidão de monstros em êxtase - outro dos seus entrou na arena, a barbárie continua.

Cito texto retirado do Site internacional contra as touradas: «Não há justificação moral para recusar ter em consideração o sofrimento de um ser, seja ele animal humano ou animal não humano. Os animais são seres sensientes que experienciam alegria, felicidade, medo e dor do mesmo modo que os animais humanos.

Ninguém tem o direito de os fazer sofrer para diversão. Se qualquer tortura infligida a um animal merece ser condenada, as touradas são a pior forma de tortura uma vez que são feitas em nome do entretenimento. Temos que acabar com toda a tortura praticada sobre os animais e terminar de uma vez por todas com estes espectáculos de brutalidade e violência.

Quem tortura animais e lhes inflige sofrimento mais tarde ou mais cedo fará o mesmo com o seu semelhante. «Em Santa Maria vai comemorar-se a Autonomia com a barbárie, com a tortura de animais que como nós sentem a dor. Em pleno século XXI! Tenhamos a coragem de dizer não, de não pormos lá os pés e denunciarmos um espectáculo que assenta na tortura, na dor e na violência e que para além disso é pago pelo Governo Regional com o dinheiro de todos nós, portanto, também, com dinheiro meu que sou contra e aqui o declaro. Abraços marienses

Ana Loura.

Santa Maria, 09 de Maio de 2005.

E agora digo eu: «é triste que hajam humanos tão nhurros, tão aberrantes! Mas o pior de tudo é que se dizem animais racionais, quando só têm muco na cabeça!

terça-feira, 3 de maio de 2005

Dia triste

Hoje, dia 3 de Maio, foi um dia muito triste. Triste para o Ventor e triste para a família e os amigos. O mês de Maio é o mês de Maria e foi o mês de Maio que nos levou a Maria. A Maria ainda não completou o meio século e já nos deixou. Diz o Ventor que a Maria, a Maria Luísa, foi transportada para o Céu, nas asas de uma borboleta, ajudada pelos anjinhos, e ficou junto do Senhor da Esfera

Foi esta borboleta, albi-negra, amiga do Ventor, que a levou para o Céu

A Maria, a dona do meu amigo Simão, sofreu muito antes de nos deixar. Deixou-nos a nós, ao Simão, ao Bekas e à Kika. Dois cães e uma cadela muito amigos. Estes foram seus companheiros de caminhada durante os últimos anos. Agora, não vou ouvir mais o Simão e o Bekas a subirem as nossas escadas numa grande algazarra. Agora ficaram sem a dona e vão sofrer muito sem ela, especialmente o Simão e o Bekas.

Muito triste a maneira como a roda do destino estraga as vidas das pessoas e dos animais. Uma doença muito má tirou-nos a Maria à força! O Ventor diz que essa doença tem o nome de um bicho muito mau a que chamam Câncer. E eu que pensava que não havia bichos maus! Pensava que eram todos como eu e os meus amigos e se, eventualmente fossem maus seria porque as pessoas lhes fazem mal também. Mas não. Este é mesmo mau e ataca por sua iniciativa. Homens, juntem-se para combaterem o Câncer!!! Todos nunca são demais!

Quico Pilantras   O Quico continua a observar-nos   Tu eras o mais lindo dos meus amigos. Eras o mais belo companheiro que qualquer pessoa g...