domingo, 31 de julho de 2005

O Rato

Bolas, que este é quase do meu tamanho! Vejam lá se o Ventor se lembra de trazer o rato em vez da foto do rato! Para vosso conhecimento, este rato não estava só. Tinha todo o clã com ele. Todos fugiram mas este parou para dialogar com o Ventor! O Ventor acha que era o chefe, pois só o chefe pode dialogar com os humanos.


A ratazana

A piada é que os ratos proliferam por ali e os patos bravos, amigos do Ventor, têm de conviver com eles. O Ventor diz que alguns dos patinhos que foram nascendo neste ribeiro foram desaparecendo quando ainda pequeninhos, e deve ser uma luta de titã a sua mãe defendê-los desta bicharada, chamada ratazanas!




Patos que estavam a dormir a sesta


Nadando acompanhando o Ventor em terra


Subindo a corrente da seca para continuarem a ver o Ventor a seu lado

Estes são amigos do Ventor. O Ventor acompanha-os desde que nasceram e a sua mãe os escondia toda atarefada. Depois conviveram sempre. O Ventor nas suas caminhadas, sempre que podia, fazia uma visita aos seus amigos. Estes são os chamados patos reais. O pai destes meninos sumiu já há algum tempo. O Ventor nunca mais o viu mas a sua mãe foi uma heroína.

São criados na vida selvagem, mesmo às portas de Lisboa.

As galinhas d'água desapareceram. Pelo menos o Ventor não as tem visto. No grupo das galinhas d'água havia uma pedrez! Será que há por aí caçadores furtivos?

Parece impossível que ande por aí tanta gente a fazer mal a estes bichinhos tão lindos.

sexta-feira, 29 de julho de 2005

Flores

Hoje deram muitas flores à minha dona!

Muitas flores para ela e mais horas de solidão para mim! Vão-me deixar só, como sempre! Bem feita que eu sou mau. É para não furar os braços ao Ventor! Ainda se ao menos ficasse aqui o Ventor para me contar mais uma história das dele! Sabem que ninguém sabe quando eu faço anos? Quem devia saber quando eu faço anos, se calhar, nunca lhe doeu a consciência de me ter abandonado tão pequeninho e nem sabe certamente que eu existo. Chego a ter pena de quem não teve pena de mim! Roubou-me à minha mãe e abandonou-me! O Ventor diz que para ele faço anos todos os dias! Felizmente tenho uma dona com coração de ouro e o melhor amigo do Mundo! Também gostava de oferecer flores à minha dona, mas o Ventor diz que ela já tem flores demais. Demais? As flores nunca são demais.


Uma flor muito linda cor de rosa


Uma flor amarela 


Outro girassol amarelo


Outra flor rosadinha

Não sei qual delas é mais parecida com a minha dona!

segunda-feira, 25 de julho de 2005

A Gaivota da Joana

Estes dias, enquanto o Ventor tem sofrido imenso de dor de dentes e eu de ter que o aturar, a nossa Dona, a Joana e a avó da Joana foram para Sesimbra passar uns dias. A Joana, tal como eu, temos visto por aqui as gaivotas que já são nossas amigas e vêm visitar-nos, mas a Joana esquece-se que elas estão sempre lá fora. Mas em Sesimbra é diferente! Diz-me o Ventor que elas andam na rua connosco e levantam voo a nossos pés na praia.

Uma gaivota amiga do Ventor

A Joana e a minha Dona viram numa rua de Sesimbra, junto à praia, uma gaivota com uma asa partida e sem poder voar. Foram a correr para ela para a apanhar e arranjar-lhe um veterinário para ver o que podia fazer por ela. Até parece que a Joana estava disposta a partir o mealheiro e a minha Dona, se necessário, empenhava-me a mim ou até o Ventor! Ao chegarem junto da gaivota foram corridas á estalada. Oh! Bicada! A minha Dona ia ficando sem braço e a Joana sem pulso. É que no bico de uma gaivota não é o mesmo que nas asas de uma gaivota! A Joana chorou que se fartou enquanto foram a casa tratar dela e trazer algo para colocar a bichinha e levá-la ao veterinário, mas, entretanto terá aparecido alguém que poderá ter tentado ajudar a gaivota, pois já não a encontraram. O Ventor começou logo a dizer-me que as pessoas devem falar com os bichos, antes de lhes tocar, para ganharem confiança, pois sem confiança nada se consegue.

segunda-feira, 18 de julho de 2005

O amigo Americano

O Ventor recebeu agora um telefonema muito triste. O nosso amigo americano está a morrer. Ele chama-se Max.


O meu amigo Max O nosso amigo era especial amigo do Ventor. Quando cá vinham, ele e o Bubo, iam para a montanha e ficavam malucos com tanta liberdade! Na América, em New Jersey, pouco mais tinham que o quintal da casa. Cá, tudo era diferente e a alegria deles era irem com o Ventor às sardinhadas e beber água fresca nas montanhas do Ventor, nas Fontes, e correr nos Poulos dos Cagordos e da Cascalheira. Não voltaremos a ver o nosso amigo americano.


Max com a dona dele O Bubo nasceu e morreu velhinho, na América, mas adorava vir a Portugal e meter-se nas águas dos nosso rios límpidos do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Teve a sua bela vida, mas o Max ainda não é velho e está a ter uma morte terrível. Tem um tumor no cérebro. A dona dele já gastou mais de 3.000, dólars só em exames. O veterinário queria pôr-lhe termo à vida, mas ela ainda não teve coragem. Também é médica e não quer nada com a eutanásia, nem de animais. Ela costuma dizer ao Ventor que há sempre uma réstia de esperança.


O nosso amigo Bubo, já em posse do Senhor da Esfera

domingo, 17 de julho de 2005

Estou feito!

O Ventor anda aqui com uma cartilha verde na mão. Verde, isso mesmo! Se fosse vermelha estava safo. Já sei que me vai levar a um gajo vestido de branco para me fazer um furo no casaco. Depois, para me levar, diz-me que quantos mais furos tiver, mais anos andamos juntos. Mas eu não vou nessa. Não quero o meu casaquinho estragado! Alguém me ensina um truque para fugir do Ventor? Um truque assim: «como fugir de amigos indesejados». Há dias assim! E hoje, para mim é um deles. Alguém sabe um truque ou não?

Também se soubessem, com estas manápulas do Ventor nunca me safo. Se o Bush tivesse umas manápulas assim já tinha apanhado o Bin... Bin... não me recordo do nome. Quando não me recordo este gajo diz-me, mas hoje não me apetece perguntar-lhe nada. Vou sair. Vai começar a tucata e fuga ... Porque não vai ele ao Veterinário? Anda aqui com um dente inflamado parece um hamster!

segunda-feira, 11 de julho de 2005

O Filho do Lobo

Mais uma história do Ventor, tal como ele ma contou. Será desenvolvida mais tarde, no meu Site.

«O filho do lobo era um cão muito parecido com o lobo e que tinha por dono um tio meu. Esse meu tio, por afinidade, que andou sempre aqui pela região de Lisboa, mais precisamente, na área de Sintra, como todos os que chegam à idade da reforma, pensou em ir para a terra e arranjar entretimento.

Um dia, na minha caminhada pelas minhas Montanhas Lindas, fui encontrá-lo num local a que chamamos As Fontes (nascente de água divina), sentado à sombra de uma árvore, com três cães e as suas cabras, à custa das quais ele continuava a subir montanhas e a tentar manter-se activo.

Ao olhar o cão, estranhei-o e perguntei-lhe onde o arranjou. Ele disse-me que aquele cão era fora de série e que era filho do lobo. Era filho do lobo e de uma cadela doméstica que andara aos cães e acasalou com o lobo nas montanhas. Gostou do cachorro, que logo desde pequeno se notava a sua procedência e pediu-o ao dono da cadela que prontamente lho ofereceu. Era um cão bem mandado e adoptara as cabras como suas companheiras.


Montes das Fontes

Como demonstração, da sua superioridade, ele mandou dois pedaços de pão para o meio dos cães e todos acorreram para apanhá-lo, mas ele deixou que fossem os outros dois a pegar o pão. Ele acorreu apenas com um ligeiro movimento e a visão a controlá-lo e a ver os outros pegá-lo, praticamente, não se mexeu! Voltou a fazer a experiência e o cão lobo voltou a seguir o pão com os olhos e a deixar que fossem os outros a pegá-lo. Por fim, agarrou num bocado de pão e deu-o ao cão lobo que o pegou e comeu-o. Ele apenas pegava o comer quando o dono dizia que era para ele!

 Ora eu, que percebo alguma coisa de cães e nada de lobos, pressupunha o contrário de tudo o que observava ali com um animal 50% lobo. Ele na forma, não no tamanho, era um autêntico lobo. Só vi aquele animal duas vezes mas nunca mais o esqueci. Só que as coisas nem sempre são como nós gostaríamos que fossem! O meu tio morreu, as cabras ficaram sós e o filho, meu primo, vendeu-as. Os cães ficaram ao abandono lá pela Assureira local ainda afastado da aldeia e, não querendo ligar às outras pessoas iam comendo como podiam. Talvez apanhassem coelhos, mas a verdade é que não foram adoptados por ninguém.

Numa determinada altura começaram a ser mortas ovelhas e toda a gente foi levada a pensar que aquele trabalho só poderia ser levado a cabo pelo filho do lobo, uma vez que os lobos não eram vistos em lado nenhum. Dera-os Deus! O meu primo ou qualquer outra pessoa, convencidos que, certamente, o filho do lobo, seria o cão assassino, mataram-no a tiro, sem direito a ser julgado, é caso para dizer, pois ninguém viu o filho do lobo a matar qualquer animal e quando o viam apenas dava ao rabo a cumprimentar as pessoas que chegavam. Este cão era tão submisso que, quando estava junto do dono, com os outros, andava sempre com o rabo entre as pernas. Ele adoptou o dono como chefe do grupo e os outros como companheiros que o receberam no grupo! Era, socialmente, um lobo autêntico.

 Um lobo

Depois de matarem o filho do lobo, as ovelhas continuaram a ser mortas e, alguém viu que andavam por ali cães que não eram da terra e que eram cães e não lobos. Os homens julgaram-nos à revelia e mataram-nos! Nunca mais houve, ovelhas mortas por aqueles lados e todos ficaram a saber que não foi o filho do lobo que, de lobo cão ou cão lobo, fiel e submisso, pensaram, se tinha tornado num cão lobo assassino!

 Este cão lobo, filho inocente deste mundo, foi morto por gente pouco dada a investigar e sempre pronta a esmagar qualquer animal que se desvie um milímetro fora do trajecto sem o aval do dono. Donos ou não, habituados a pensar e actuar friamente, como animais irracionais, sem fazerem um julgamento claro e justo como mandaria o bom senso. Assim, já vão alguns anos, na minha caminhada pela minha terra, também vejo como a injustiça se sobrepõe à justiça, tal como em qualquer canto do mundo isso acontece, com os homens e, mais ainda, com os animais».

quarta-feira, 6 de julho de 2005

Os Esquilos

Ontem o Ventor foi ao local dos pica-paus e viu três.

Andava uma ave de rapina sobre os sobreiros e ele ouviu um sinal que lhe era familiar. O som era de pica-pau, mas ficou sem saber se era um alerta motivado pela presença da ave de rapina, se pela presença do Ventor. A verdade é que ele preparou a máquina para ver se apanhava algum ou os três mas não conseguiu fotografá-los.

Depois de os perder, uma terceira vez, ficou a tentar encontrá-los no meio das árvores e, de repente, dois passaram sobre a sua cabeça e depois um terceiro que ficou a observar o Ventor, junto a um muro, passou sobre ele e fez uma chamada. O ventor não voltou a vê-los e não conseguiu nenhuma foto. A verdade é que ficou todo contente por ver os seus amigos e hoje era para lá voltar, mas mudou de destino.

Apareceu de surpresa em Monsanto para dar um olá especial aos esquilos que já não via há algum tempo. Por isso foi matar saudades dos seus companheiros de Monsanto e dedicou-lhes a tarde. Logo ao chegar, viu uma águia com os seus pios inconfundíveis e concluiu o seguinte. Como a águia gritava voando: ou chamava o casal ou era um filhote a chamar os pais, ou tentava espantar a caça para a controlar.

O Ventor não percebe nada disso mas acredita na 3ª hipótese! Tirou-lhe duas fotos e seguiu viagem pelo intenso matagal. Depois conseguiu ver um esquilo no chão, mas enquanto preparou a máquina, o esquilo subiu um pinheiro e começou a brincar às escondidas com o Ventor, assim do tipo: «estou aqui! Aqui não, ali»! E assim por diante.

Mas o Ventor que antes de encontrar o esquilo estivera junto de colmeias de abelhas como as do seu amigo Chica, em Adrão, não estava para brincadeiras. Queria era ter a certeza se as abelhas não vinham atrás dele, pois faltava-lhe ali o Chica para lhe dizer: «não te mexas, que elas não te fazem mal»!

Depois começou a disparar sobre os esquilos! Tiros, não! Fotos! Tiros eram no Campo de Tiro de Monsanto que nem eu nem o Ventor achamos boa ideia, mas ...!

 

Uma das várias fotos do esquilo - o primeiro

Ele escondeu-se no meio de pinhas a gozar com o Ventor e o Ventor, já chateado, disse-lhe: "olha rapazinho, comigo não te safas! Eu espero aqui, se for preciso, até ser de noite, para te obrigar a sair da árvore»! «Ora - diz ele - se eu sair de noite, essa porcaria não tira! Mesmo agora já é uma chatice»!

O Ventor viu logo que ele ganhou e disse: "está bem! De qualquer modo vou-me sentar e pensar nisso. Afinal, as abelhas ficaram para trás"!

«O quê? Então tu desafias o Ventor? Seu» ... e veio logo uma churrada de nomes de esquilo para esquilo. De repente estavam três à luta na mesma árvore!


 O Esquilo em diálogo com o Ventor

Mas o Ventor já tinha ido embora e tentara fotografar um gaio que estava sobre outro pinheiro, mesmo junto à sua cabeça e gozava também com ele. Diz o Ventor que nunca mais vai ter oportunidade igual para fotografar, decentemente, um gaio!

 Chateado com o gaio, acabou por regressar e passar junto ao pinheiro do esquilo. Este começou a gozar com ele. «Já corri com os outros dois! Agora, como és um gajo decente, deixo-te tirar mais uma foto». E o Ventor tirou!


Os outros fugiram para ali

O Ventor decidiu ir-se embora. Disse-lhe que não se importava o local para onde os outros dois fugiram. Mas o gajo era maluco e pediu ao Ventor para subir a árvore como ele. Se não sabia, podia aprender!



Ele faz a demonstração como é

O Ventor decidiu não ligar-lhe mais e veio-se embora. No caminho, no meio de um grande matagal de grandes pinheiros e outras árvores, ouviu os gaios em grande algazarra e desceu uns penhascos para ir observar. Andava lá uma ave de rapina a tentar apanhar um gaio mas, no meio de tanta densidade, não conseguiu indentificá-la. E ela partiu sem gaio. Uma das aves de rapina mais especializadas neste tipo de caça é o açor. Também, há tempos, o Ventor assistira na bouça a uma luta igual, e ficou também, sem se certificar se era o açor que pretendia apanhar um gaio, mas também não conseguiu.

Mas a águia continuava lá! No regresso do Ventor, ela voltou a passar por cima dele junto à cabeça, largando os seus pios inconfundíveis. O Ventor tentou imitá-la com um assobio semelhante, mas ela foi-se para os lados da Buraca, pensou o Ventor mas, entretanto, viu-a regressar e tornou a perdê-la. O Ventor voltou a imitá-la e convencido que ela tinha ido definitivamente, fechou a máquina e desistiu. Mal a máquina fechou, acaba aquele monstro de dar umas voltas sobre as copas dos pinheiros perto e voltou a fazer uma passagem baixa sobre o Ventor. Essa é que tinha sido a foto! Ficou para a próxima.

domingo, 3 de julho de 2005

O Tira-olhos

Ainda não é este o tira-olhos que o Ventor queria, mas foi o que arranjou. O Ventor andava a ver se ele pousava para lhe tirar uma foto e pousou, mas de repente esvoaçou para os ramos ao lado. Quando o Ventor preparava a máquina olhando o vulto do tira-olhos, ele estranhou algou que se passava lá. O Ventor colocou a máquina em posição de fotografar mas já o tira-olhos tinha tirado uma abelha a este mundo.

Vê-se bem que tem uma abelha abocanhada


Está a comê-la encantadamente 

Apenas pediu ao Ventor para não se meter na vida dele e a abelha já fora. Enquanto a comeu deixou o paparasi do Ventor tirar fotos à vontade e nem tentou fugir. Disse que estava esfomeado. Realmente ao olhar-se aquele cilindrinho tão estreitinho, vê-se que estava com fome. Uma chatice!



Ele continua a devorar a abelha, mas o Ventor pensava que ele fugia e continuou a disparar ao calhas. Bem podia tirar melhores fotos!



Parece que só sobra a asa da abelha

 



 Ainda lá está a asinha

E ei-lo de papo cheio! Prontinho para arrancar e ir arranjar algo mais, pois a abelha, segundo disse ao Ventor tinha sido apenas o aperitivo para uma tarde que se iniciava e à noite já teria de estar muito bem composto para na manhã seguinte ter condições para continuar a caçada. Mas o Ventor bem o avisou para não voltar a apanhar uma abelha junto dede!

Adeus Amigos

Tive de partir. Agora deixo-vos sós com o Ventor. Que o Senhor da Esfera vos ajude a todos. A mim já me levou. Pedi ao Ventor para public...