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segunda-feira, 1 de agosto de 2005

Os bichos do Ventor

Quando o Ventor vai dar as suas passeatas, aquelas célebres caminhadas de que nos fala, eu fico sempre à espera de novos bichos.

Mas nem sempre ele consegue apanhar o que gostaria. Depois fala-me deles como se estivesse a marcá-los para os meter numa nova Arca do seu amigo Noé. Quando ele me fala dos bichos eu chego a convencer-me que, um dia destes, ele acabará por os trazer cá para casa em gaiolinhas e não na máquina fotográfica. Mas ele já deve saber que nenhum bicho gosta de gaiolas e eu servi-lhe de exemplo. Cada vez que ele me metia numa gaiola que lhe custou uns bons pares de euros, ainda em escudos, eu ficava sem ar e transpirava e quase morria de susto! Por isso ele dizia que eu não era um gato normal. Como é que ele queria que eu fosse um gato normal? Eu fui abandonado ao Deus dará. Estava sempre a ser atropelado pelos meus companheiros, em fuga.

Resisti às fisgas e flaubers dos ciganos e doutros nhurros, e só, sem forças e inanimado de cansaço me apanharam. O Ventor, por minha causa, ganhou tanto pó a essa gaiola que acabou por a dar e agora leva-me nos braços. Por isso, é que quando eu chego a casa, logo nas escadas, peço-lhe para me por no chão e mal ele faz o gesto já eu estou a formar o impulso para o pulo. É nesse momento que eu lhe cravo as unhas num braço! Mas quanto aos outros bichos que ele vai fotografando, ele sente que o mundo é mais bonito quando os vê e penso que nunca usará uma gaiola para eles.


Este gafanhoto, faz o Ventor recordar-se dos velhos tempos, mas tempos em que o verde predominava e os gafanhotos pastavam e não passavam fome. Quando levantavam voo, as suas asas no ar pareciam um campo florido, tal a variedade de gafanhotos e as cores das suas asas abertas, pelos vales das suas montanhas.

Formigas nas amoras

Como noutros tempos, as formigas vão às amoras das silvas e levam para casa aqueles pedacinhos redondos, como se fossem ao supermercado carregar frascos cheios de um belíssimo doce acre, silvestre.

Como as formigas, também as abelhas e as vespas se empanturram dos doces gostosos das amoras de silvas que tanta fome e sede matam no mundo em dias de canícula.

Mas até as borboletas vão às amoras, embora o Ventor não lhes tirasse fotos lá, elas andam pelas silvas, nas pedras e nos matos secos.



Mas também o Ventor devia ter mais cuidado e não estragar os amores das borboletas. Ele diz que num local pequeno, as borboletas pareciam que estavam na Ilha dos Amores de que nos fala o Grande Camões.


Por ali, não muito longe, ainda continua a pingar a água, salvação de toda esta bicharada neste belo local, um nicho encravado no meio do nada. Ali os passarinhos vão beber, as rolas, os pombos, as andorinhas, os coelhos e todos os outros. É uma beleza, nesta canícula ver a água continuar o seu caminho para Bombaça!

As minhas janelas

 Nasci no Lugar de Adrão   Na serra de Soajo As Caminhadas por aí   Estive em Moçambique   A Arrelia do Quico   O meu Pilantra s     As bele...