segunda-feira, 11 de julho de 2005

O Filho do Lobo

Mais uma história do Ventor, tal como ele ma contou. Será desenvolvida mais tarde, no meu Site.

«O filho do lobo era um cão muito parecido com o lobo e que tinha por dono um tio meu. Esse meu tio, por afinidade, que andou sempre aqui pela região de Lisboa, mais precisamente, na área de Sintra, como todos os que chegam à idade da reforma, pensou em ir para a terra e arranjar entretimento.

Um dia, na minha caminhada pelas minhas Montanhas Lindas, fui encontrá-lo num local a que chamamos As Fontes (nascente de água divina), sentado à sombra de uma árvore, com três cães e as suas cabras, à custa das quais ele continuava a subir montanhas e a tentar manter-se activo.

Ao olhar o cão, estranhei-o e perguntei-lhe onde o arranjou. Ele disse-me que aquele cão era fora de série e que era filho do lobo. Era filho do lobo e de uma cadela doméstica que andara aos cães e acasalou com o lobo nas montanhas. Gostou do cachorro, que logo desde pequeno se notava a sua procedência e pediu-o ao dono da cadela que prontamente lho ofereceu. Era um cão bem mandado e adoptara as cabras como suas companheiras.


Montes das Fontes

Como demonstração, da sua superioridade, ele mandou dois pedaços de pão para o meio dos cães e todos acorreram para apanhá-lo, mas ele deixou que fossem os outros dois a pegar o pão. Ele acorreu apenas com um ligeiro movimento e a visão a controlá-lo e a ver os outros pegá-lo, praticamente, não se mexeu! Voltou a fazer a experiência e o cão lobo voltou a seguir o pão com os olhos e a deixar que fossem os outros a pegá-lo. Por fim, agarrou num bocado de pão e deu-o ao cão lobo que o pegou e comeu-o. Ele apenas pegava o comer quando o dono dizia que era para ele!

 Ora eu, que percebo alguma coisa de cães e nada de lobos, pressupunha o contrário de tudo o que observava ali com um animal 50% lobo. Ele na forma, não no tamanho, era um autêntico lobo. Só vi aquele animal duas vezes mas nunca mais o esqueci. Só que as coisas nem sempre são como nós gostaríamos que fossem! O meu tio morreu, as cabras ficaram sós e o filho, meu primo, vendeu-as. Os cães ficaram ao abandono lá pela Assureira local ainda afastado da aldeia e, não querendo ligar às outras pessoas iam comendo como podiam. Talvez apanhassem coelhos, mas a verdade é que não foram adoptados por ninguém.

Numa determinada altura começaram a ser mortas ovelhas e toda a gente foi levada a pensar que aquele trabalho só poderia ser levado a cabo pelo filho do lobo, uma vez que os lobos não eram vistos em lado nenhum. Dera-os Deus! O meu primo ou qualquer outra pessoa, convencidos que, certamente, o filho do lobo, seria o cão assassino, mataram-no a tiro, sem direito a ser julgado, é caso para dizer, pois ninguém viu o filho do lobo a matar qualquer animal e quando o viam apenas dava ao rabo a cumprimentar as pessoas que chegavam. Este cão era tão submisso que, quando estava junto do dono, com os outros, andava sempre com o rabo entre as pernas. Ele adoptou o dono como chefe do grupo e os outros como companheiros que o receberam no grupo! Era, socialmente, um lobo autêntico.

 Um lobo

Depois de matarem o filho do lobo, as ovelhas continuaram a ser mortas e, alguém viu que andavam por ali cães que não eram da terra e que eram cães e não lobos. Os homens julgaram-nos à revelia e mataram-nos! Nunca mais houve, ovelhas mortas por aqueles lados e todos ficaram a saber que não foi o filho do lobo que, de lobo cão ou cão lobo, fiel e submisso, pensaram, se tinha tornado num cão lobo assassino!

 Este cão lobo, filho inocente deste mundo, foi morto por gente pouco dada a investigar e sempre pronta a esmagar qualquer animal que se desvie um milímetro fora do trajecto sem o aval do dono. Donos ou não, habituados a pensar e actuar friamente, como animais irracionais, sem fazerem um julgamento claro e justo como mandaria o bom senso. Assim, já vão alguns anos, na minha caminhada pela minha terra, também vejo como a injustiça se sobrepõe à justiça, tal como em qualquer canto do mundo isso acontece, com os homens e, mais ainda, com os animais».

5 comentários:

  1. Olá, Ventor. Olha, sou muito sincera: não gosto (ou melhor não consigo) ler histórias relacionadas com o sofrimento de animais (principal/ nas mãos do homem) mas fixei-me na parte final que valeu muito a pena. O que me surpreende mais na blogosfera é a quantidade de pessoas que fazem questão de dizer que amam e respeitam os animais, nas mais variadas formas. É por isso que eu gosto tanto de cá andar. Uma festinha no pelo, miau!mocho
    (http://barrocodomocho.blogs.sapo.pt)
    (mailto:mvilamoura@sapo.pt)

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  2. Lindddoooo!!! Se queres um template diferente daqueles que o sapo disponibiliza, vai ao meu blog, lá encontarás com certeza algum que gostes e se não gostares farei um a teu gosto. Fico à espera. Boa sorte para o blog!!!!!lua_sol
    (http://coysitasii.blogs.sapo.pt)
    (mailto:lua_sol1@sapo.pt)

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  3. Olá, Mocho! O Ventor e eu andamos chatiados com a Net! Muitas vezes a nossa zona é icomodada com uma espécie de stress electrónico. Mas olha, com a tua festinha no meu pelo eu fiquei tal como o Crocunda de Lagardère. Voltarei ao teu Barroco! Fica, ... olha bem, como é áspera a minha língua a passar pela tua mão!Quico97
    (http://quicoarreliado.blogs.sapo.pt/)
    (mailto:raf1992@msn.com)

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  4. Também tu, lua sol? Diana e Apolo juntos? Ai se o Ventor vê isto?
    Também já andei pela tua (nossa) esfera! Obrigado pela oferta do template, mas o Ventor diz que quanto mais complicado pior e olha que, pelo que vejo, tem razão! Para o Ventor e para o teu amigo Quico, quanto menos complicações melhor. Mas faz de conta que aceitamos. Talvez quando estivermos especializados aceitemos. Uma lambusadela do teu amigo Quico.Quico 97
    (http://quicoarreliado.blogs.sapo.pt/)
    (mailto:quico97@sapo.pt)

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  5. Olá, Quico, vê lá se ao passares a tua lingua áspera pelas minhas penas não levas uma bicada das fortes (He, he, he). Gatinho atrevidote...mocho
    (http://barrocodomocho.blogs.sapo.pt)
    (mailto:mvilamoura@sapo.pt)

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Tive de partir. Agora deixo-vos sós com o Ventor. Que o Senhor da Esfera vos ajude a todos. A mim já me levou. Pedi ao Ventor para public...