Quando o Ventor vai dar as suas passeatas, aquelas célebres caminhadas de que nos fala, eu fico sempre à espera de novos bichos.
Mas nem sempre ele consegue apanhar o que gostaria. Depois fala-me deles como se estivesse a marcá-los para os meter numa nova Arca do seu amigo Noé. Quando ele me fala dos bichos eu chego a convencer-me que, um dia destes, ele acabará por os trazer cá para casa em gaiolinhas e não na máquina fotográfica. Mas ele já deve saber que nenhum bicho gosta de gaiolas e eu servi-lhe de exemplo. Cada vez que ele me metia numa gaiola que lhe custou uns bons pares de euros, ainda em escudos, eu ficava sem ar e transpirava e quase morria de susto! Por isso ele dizia que eu não era um gato normal. Como é que ele queria que eu fosse um gato normal? Eu fui abandonado ao Deus dará. Estava sempre a ser atropelado pelos meus companheiros, em fuga.
Resisti às fisgas e flaubers dos ciganos e doutros nhurros, e só, sem forças e inanimado de cansaço me apanharam. O Ventor, por minha causa, ganhou tanto pó a essa gaiola que acabou por a dar e agora leva-me nos braços. Por isso, é que quando eu chego a casa, logo nas escadas, peço-lhe para me por no chão e mal ele faz o gesto já eu estou a formar o impulso para o pulo. É nesse momento que eu lhe cravo as unhas num braço! Mas quanto aos outros bichos que ele vai fotografando, ele sente que o mundo é mais bonito quando os vê e penso que nunca usará uma gaiola para eles.
Este gafanhoto, faz o Ventor recordar-se dos velhos tempos, mas tempos em que o verde predominava e os gafanhotos pastavam e não passavam fome. Quando levantavam voo, as suas asas no ar pareciam um campo florido, tal a variedade de gafanhotos e as cores das suas asas abertas, pelos vales das suas montanhas.
Formigas nas amoras
Como noutros tempos, as formigas vão às amoras das silvas e levam para casa aqueles pedacinhos redondos, como se fossem ao supermercado carregar frascos cheios de um belíssimo doce acre, silvestre.
Como as formigas, também as abelhas e as vespas se empanturram dos doces gostosos das amoras de silvas que tanta fome e sede matam no mundo em dias de canícula.
Mas até as borboletas vão às amoras, embora o Ventor não lhes tirasse fotos lá, elas andam pelas silvas, nas pedras e nos matos secos.
Mas também o Ventor devia ter mais cuidado e não estragar os amores das borboletas. Ele diz que num local pequeno, as borboletas pareciam que estavam na Ilha dos Amores de que nos fala o Grande Camões.
Por ali, não muito longe, ainda continua a pingar a água, salvação de toda esta bicharada neste belo local, um nicho encravado no meio do nada. Ali os passarinhos vão beber, as rolas, os pombos, as andorinhas, os coelhos e todos os outros. É uma beleza, nesta canícula ver a água continuar o seu caminho para Bombaça!










Não sei muito o que te dizer do teu blog.Entrei aqui porque vi que és destaque do sapo.Sinceramente não dei muita importância a isso,entrei por entrar.
ResponderEliminarEntrei e não saí,fiquei a lêr o trabalho excelente que tens nesta página.Muitos parabéns pela forma como escreves e pelas belas fotos.Fizeste-me recuar uns anos para trás,quando eu observava os gafanhotos a saltarem e as formigas a transportarem as suas provisões.
Felicidades para que continues este trabalho.kaldinhas
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Também eu e o Ventor já andamos a espreitar à tua janela e cheiramos o teu perfume. Uma beleza! Obrigado pela tua visita Kaldinhas.Quico
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(mailto:quico97@sapo.pt)
Que bonito post, Quico. Gostei imenso das formiguinhas nas amoras. Para ser sincera, gostei de todas as fotos porque tem vida, tem a natureza, tem cor, tem animaizinhos que só mesmo o teu dono e mais meia dúzia de pessoas excepcionais se lembrariam de fotografar. Fica bem, Quico. P.S. - Agora percebi as "arranhadelas" no braço do Ventor. mocho
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Caro Quico, gostei muito do teu blog, virei te visitar mais vezes. Saiba que aqui no Brasil também sabemos apreciar belos trabalhos em blogs, e o teu é ótimo! Diga ao Ventor que as fotos são maravilhosas!!!
ResponderEliminarUm grande abraço!Geisa
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(mailto:gehavrechak@yahoo.com.br)
Arranhadelas, Mocho? Pois! Mas isso é sempre por acidente! Nunca me lembraria de arranhar o Ventor de propósito! Só o Ventor poderia levar arranhadelas e não ragir às minhas pressas de chegar a casa. Tenho o melhor dono do mundo! Mas a verdade é que nunca mais aprendo. Bjs. Diz o Ventor para teres cuidado com os golpes de calor.Quico 97
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(mailto:quico97@sapo.pt)
ai que grande fungagá!
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