terça-feira, 29 de novembro de 2005

Um ZX dos Diabos

Amigo

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O nosso carro preto. Era um ZX dos diabos!

Diz o Ventor que há amigos e amigos.

Vejam vocês e isto não é coisa de gatos, o Ventor até tinha um amigo feito de metais e borrachas. Não era um Carocha dos Diabos, mas era um ZX dos Diabos. Foi tão amigo, tão amigo, que até não dá para acreditar.

Foi um carro que, durante 13 anos e três meses só levou tareia (sempre estacionado) nunca bateu nos outros. Era um carro muito pacífico! De todos os carros que o Ventor guiou, foi aquele de que mais gostou e preparava-se, há três anos, para o reformar. Quando decidia ir a um Stand para trocá-lo, por um dos seus irmãos mais jovens, o Ventor olhava-o e dizia: «porque raio te vou trocar? Tu não me deixas ficar mal e se calhar vou arranjar um novo já cansado. Nah!»

Em três anos, o Ventor por duas vezes chegou a ir ao Stand, chegou a iniciar a hipótese de troca mas, ao sair, olhava o Preto e dizia-lhe que se estava a sentir um traidor. Um bom amigo nunca se abandona! E lá foi continuando com ele. O Preto era para nós um bibelot, até para mim que não gostava de andar nele!

Cheguei a ir nele com o Rafinho (o nosso coelhinho anão), com o Ventor e a minha dona para vários sítios, especialmente para Milfontes, uma das paixões alentejanas do Ventor.

Eu e o Ventor guardávamos o Rafinho dos outros gatos num quintal cheio de ervas, junto ao rio Mira. Mas o Rafinho não confiava em mim e mal que o Ventor entrava a porta para ir buscar uma bebida, o Rafinho era o primeiro a entrar porta dentro e eu ficava ali à sombra à espera dos dois. Ele andava sempre junto ao tornozelo do Ventor. Quando regressávamos a casa, o Ventor iniciava a marcha e dizia para o Pretovamos Preto, porta-te bem que quero que este Maralhal chegue a casa inteirinho. Eu não sabia como estar e o Rafinho também não ajudava muito, mas lá regressávamos sempre inteiros.

Agora que o Ventor tinha tomado uma decisão, de comprar outro carro mas ficar com o Preto para ir visitar os seus amigos bichos, nas suas caminhadas mais curtas, um outro preto, este de África, armado em campeão atravessou uma rua com 9,20m e foi-se despedaçar contra o nosso Preto.

Apanhou de raspão um Golf novo pelo pneu traseiro que estava à frente do Preto em cima do passeio e atirou com ele contra o nosso partindo-lhe o farol dianteiro esquerdo, enfeixou-se na porta dianteira esquerda do nosso e apanhou o sinal de proibição de estacionar que foi partir a porta traseira do nosso Preto.

Apanhou com um Golf, com um Tigra e com o sinal, tudo em cima dele! Na véspera o Ventor tinha-lhe dito: tu não vales quase nada em termos comerciais, mas foste um grande amigo e eu não te vou enviar para a sucata, estás muito bom e ainda vais ir comigo, mais uma vez à Pedrada. Vais ficar nas minhas montanhas lindas à sombra das canecipes a ver-me subir as encostas e esperares para me veres descer, como sempre fizemos. Pelo menos mais uma vez!

 O Preto ficou tão contente que ficou a sonhar com aquela vontade do Ventor de voltar com ele àquelas maravilhosas montanhas. Ele estava muito bom e como diziam aqueles que sabiam tratar dele, só um cataclismo o colocaria fora de circulação. Agora levam 4.000 euros para o arranjar, mas o Seguro, só quer dar ao Ventor 450 euros! O valor venal! Ora se trocasse o Preto, só na troca, as Finanças davam-lhe mil euros pelo seu abate! Afinal pagamos os seguros para quê?

Mas o Ventor não vai com as chulices dos seguros. Não vai, não! Agora vejam! O Ventor já foi ao ferro velho à procura das peças para o seu Pretoe não arranja, mas a Citroên arranja-lhe as peças todas novas por 600 euros. Depois é só colocá-las! O Ventor acha que vai tratar mesmo do preto. Se não houver danos estruturais como parece, vai mesmo tratar dele e vai pelo menos, gastar os seus pneus novos!

A verdade é que o nosso Pretofoi acordado de um sonho às cinco e tal da manhã de um domingo e o Ventor também estava a sonhar quando a campainha nunca mais se calava. Levantou-se, vestiu o robe, espreitou pelo ralo e pronto. Um polícia! O Ventor abriu a porta e o polícia disse logo: um gajo deu-lhe cabo do carro. Partiu-lho todo!

O Ventor vestiu-se calmamente. Afinal não tinha pressa de ver o seu Preto todo partido. Saiu de casa e, em volta do nosso Pretoestavam sete polícias, um preto africano de telemóvel na mão a contar a sua desgraça a alguém e mais umas pessoas. A primeira coisa que o Ventor ouviu foi o outro preto, o africano, dizer ao telemóvel: eu sei que voo ser preso, pá! Ouviu também um dos polícias dizer-lhe que já estava farto de o ver ao telemóvel. Em vez de responder às perguntas, parecia que estava com vontade era de gastar o telemóvel com conversas sem interesse e ele tinha mais que fazer!

Depois? Bem, depois tem sido o diabo. A ranhice da seguradora do outro indivíduo Os números, os faxes, os valores isso eu depois conto-vos quando o Ventor me deixar.

PS. O Ventor chegou há pouco da Oficina e já sabe que não há danos estruturais!

6 comentários:

  1. Opá nem me fales! Eu sempre ouvi dizer: "Quem estraga velho, paga novo", afinal nem todos os ditados têm um fundo de verdade.... é o país que temos. Á minha irmã aconteceu-lhe o memso, um bebado bateu-lhe em contra mão, o carro dela caputou, foi para a sucata e agora a minha irmã anda a pagar um carro novo ás prestações pois as seguradoras já se sabe. Mas o pior de tudo é que po bebado foi embora ao volante do carro.... porque era uma pessoa conhecida da sociedade!Sónia Nabais
    (http://asmusas.blogspot.com/)
    (mailto:asmusas@sapo.pt)

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  2. Ai Quico o que havia de acontecer logo aos teus donos que devem ser pessoas tão boas, os meus donos são a mesma coisa com os carros tem um Renaut 21, com 18 anos acho, mas que é a adoração do meu dono pois tem o motor 2000 de cilindrada que o meu dono gosta muito diz que o seguro nada dá por ele, mas ele não consegue desfazer-se dele. Quando tinham um carocha a Filipa chorou, quando o pai trocou, tanto gostava ela do Branquil era o nome do carocha, a dona tem Fiat também com uns 20 anos mas é o menino dos olhos dela, nunca a deixou no caminho. Como vão as costas do teu dono e a dona já deixou as limousines? é nestas alturas que a minha dona fica zangada com o senhor lá de cima, porquê as pessoas boas acontecem estas coisas?!
    Os seguros são mesmo chatos, deviam valorizar mais um pouco os carrinhos estimados.
    Por hoje envio-te mais umas pataditas.
    do Charly
    aldora
    (http://gatinhosvoadores.blogspot.com)
    (mailto:aldoramira@sapo.pt)

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  3. Oh Quico os seguros só são sérios quando é para assinarmos as pormissórias,ou quando vem a conta para pagar.Aqui em casa,já aconteceu uma cena mais ou menos assim. Partiram uma carrinha novinha ao meu marido. Por mais que ele alegasse que necessitava do carro para trabalhar,nada era resolvido. E ele também sem culpa nenhuma do acidente. Tivemos de comprar outra a prestações,pois não tinhamos mais dinheireco para pagar outra carrinha logo. E só passados mais de seis meses é que nos deram o valor da carrinha,mas quase tirado a ferros.Não acredito em nenhum fulano dos seguros.Todos iguais.
    Sabes? eu também tenho um carro, que já tem 10 anos e não me quero desfazer dele.Tem sido o meu companheiro em grandes viagens.Todos os dias me acompanha e nunca me traiu. Gosto muito dele.
    Agora vou dar de comer ao Zezito que está lá fora a chamar-me.
    Beijinhos e bom feriado para todos. kaldinhas
    (http://kaldinhas1.blogs.sapo.pt/)
    (mailto:kaldinhas@sapo.pt)

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  4. Se não há danos estruturais e o "gajo" tiver o seguro em ordem, pode ser que tenhas um ZX de cara lavada no principio do ano. Ó pá, isto não podem ser só coisas más, não é? Castor
    (http://diquedocastor.blogs.sapo.pt)
    (mailto:diquedocastor@mail.pt)

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  5. É preciso uma lata... se o carro está estacionado e vem outro q lhe bate, então qual é a dúvida p as seguradoras? hello?...enerva-me tamanha estupidez.siri
    (http://sokedih.blog.simplesnet.pt)
    (mailto:sokedih@sapo.pt)

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  6. Pois é Siri. Se tiveres um carro velho com qualidade ou sem ela, valerá Ó! Este é o problema de toda a gente com viatura. Estimas o teu carrinho que continua a dar um balúrdio à Seguradora, mas quando chegar a hora, convencemo-nos mesmo que este país é mesmo bom, sim, mas para CHULOS! Ainda se fosse eu a estragar, já tinha compreendido à primeira, mas assim acho que só posso compreender a palavra "chularia"! Bjs.Quico
    (http://quicoarreliado.blogs.sapo.pt/)
    (mailto:quico97@sapo.pt)

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